sábado, 8 de outubro de 2011

Introdução








Tradição e Modernidade no Território Indígena Xakriabá 




Beatriz Judice Magalhães∗∗ Patrícia Vargas Santos Corrêa de Oliveira∗∗∗ Vanessa Cardoso Ferreira∗∗∗∗ 


Este artigo tem como objetivo analisar alguns aspectos da história recente da população indígena Xakriabá à luz do pressuposto de que tradição e modernidade podem conviver simultaneamente. Nesse sentido, foi feita uma análise da realidade de tal população ressaltando os aspectos de sua cultura em que se observa a conciliação desses termos. São apresentadas referências teóricas relativas a esse tema e são, também, descritos acontecimentos na Reserva Indígena Xakriabá que exemplificam a convivência entre tradição e modernidade na história recente da referida população.



Palavras Chave: Tradição, mudança, modernidade, identidade, índios Xakriabá.



Área temática: Economia Mineira




Artigo apresentado no XIV Seminário sobre a Economia Mineira, realizado em Diamantina, MG, entre 25 e 27 de maio de 2010.







Economista, Mestranda em Antropologia pelo PPGAN/ UFMG, Pesquisadora do Plano Diretor Metropolitano da RMBH no Cedeplar/ UFMG







 Graduanda em Ciências Econômicas pela UFMG; Assistente de Pesquisa do Plano Diretor Metropolitano da RMBH no Cedeplar/UFMG.







 Graduanda em Ciências Econômicas pela UFMG, Bolsista do Projeto Educação e Alternativas de Produção: etno-desenvolvimento e alternativas de produção nas comunidades indígenas Xakriabá.

 A Casa de Cultura


O projeto Casa de Cultura Xakriabá iniciou-se no ano de 2006 a partir de discussões com a população local. Tal projeto consiste na construção de uma casa de grande porte, Localizada na aldeia Sumaré I, que vem responder a um anseio expresso pelo povo Xakriabá, nos últimos anos, de concretizar iniciativas que contribuam para o reconhecimento da sua identidade étnica e valorização da sua cultura tradicional.


O projeto parte da intenção de resgatar os diferentes tipos de habilidades na produção de artesanato (cestos, balaios, barro, tecido, etc) que serviam de troca pelos demais produtos (por exemplo, pelos alimentos). As atividades relacionadas com a produção de artesanato já vêm sendo desenvolvidas em diversas aldeias, e a construção da Casa de Cultura representa um impulso para o seu crescimento e consolidação. Esse projeto foi discutido em diferentes momentos, em reuniões realizadas desde 2004, com o acompanhamento do Cacique Domingos Nunes de Oliveira e de lideranças e representantes das associações e escolas.


O repasse de técnicas de artesanato dos mais velhos aos mais jovens já vem ocorrendo entre os Xakriabá, porém, se trata de um processo que ocorre de forma fragmentada, sem continuidade e sem visibilidade. A Casa de Cultura, nesse sentido, é de importância singular, tendo em vista que será um espaço de convivência, aprendizado e multiplicação de diversos aspectos da cultura e da história Xakriabá. Portanto, será também um espaço de convivência e de memória. 


Na discussão com a comunidade, os principais consensos sobre a Casa de Cultura levaram à seguinte proposta quanto à sua estruturação e funções: a) espaço de produção e aprendizagem do artesanato Xakriabá; b) espaço multimídia; para reuniões e atividades comunitárias e de formação; c) espaço de exposição e venda; d) museu. Desse modo, a


Casa de Cultura é dividida em quatro módulos, que juntos compõem o todo da construção e que serão utilizado para atividades supracitadas.



As atividades da Casa de Cultura visam conciliar inovação e tradição. Tradição, no sentido de conservar e aprimorar os modos de construção indígena e inovação, no sentido de agregar tecnologias mais eficientes e sustentáveis de construção. Uma das inovações incorporadas à técnica de construção indígena é a fabricação de tijolos de solo-cimento, os quais estão sendo produzidos com o solo local agregado a uma pequena parte de cimento, o que representa uma alternativa de construção auto-sustentável e não excludente pelo custo. Permitir que o maior número de indivíduos tenha acesso a essas alternativas é viabilizar um processo de construção que mescla tradição e cultura, sem que seja necessário submeter a população local a gastos que não fazem parte de suas possibilidades. As telhas utilizadas na construção também foram fabricadas no próprio território, por Xakriabás que possuem a prática de fazer telhas como tradição familiar. 



A construção da Casa de Cultura é feita pelos habitantes da TIX, havendo um pedreiro responsável (mestre de obras) e dois serventes auxiliares. Essa estrutura permite que parte do financiamento destinado ao projeto seja repassada aos habitantes locais, na forma de pagamento de salários, o que representa, também, um incentivo à permanência desses habitantes na terra indígena e a não buscarem trabalho temporário fora da reserva.



A Casa de Cultura reserva um espaço para as atividades de resgate da tradição artesanal, fornecendo a infra-estrutura necessária para a realização desses trabalhos. As atividades de artesanato já são realizadas nas diversas aldeias que compõem a Reserva Indígena, mas, na maioria dos casos, faltam recursos para que o trabalho seja realizado de forma consistente e com a participação de um número maior dos membros das comunidades.

Fator que facilita o trabalho na Casa de Cultura é a movimentação da comunidade em torno da construção, o que conta com auxílio de professores indígenas, das lideranças locais e dos moradores da reserva.

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