A Casa de Cultura |
O projeto Casa de Cultura Xakriabá iniciou-se no ano
de 2006 a partir de discussões com a população local. Tal projeto consiste na
construção de uma casa de grande porte, Localizada na aldeia Sumaré I, que
vem responder a um anseio expresso pelo povo Xakriabá, nos últimos anos, de
concretizar iniciativas que contribuam para o reconhecimento da sua identidade
étnica e valorização da sua cultura tradicional.
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O projeto parte da intenção de resgatar os
diferentes tipos de habilidades na produção de artesanato (cestos, balaios,
barro, tecido, etc) que serviam de troca pelos demais produtos (por exemplo,
pelos alimentos). As atividades relacionadas com a produção de artesanato já
vêm sendo desenvolvidas em diversas aldeias, e a construção da Casa de
Cultura representa um impulso para o seu crescimento e consolidação. Esse
projeto foi discutido em diferentes momentos, em reuniões realizadas desde
2004, com o acompanhamento do Cacique Domingos Nunes de Oliveira e de
lideranças e representantes das associações e escolas.
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O repasse de técnicas de artesanato dos mais velhos
aos mais jovens já vem ocorrendo entre os Xakriabá, porém, se trata de um
processo que ocorre de forma fragmentada, sem continuidade e sem
visibilidade. A Casa de Cultura, nesse sentido, é de importância singular,
tendo em vista que será um espaço de convivência, aprendizado e multiplicação
de diversos aspectos da cultura e da história Xakriabá. Portanto, será também
um espaço de convivência e de memória.
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Na discussão com a comunidade, os
principais consensos sobre a Casa de Cultura levaram à seguinte proposta
quanto à sua estruturação e funções: a) espaço de produção e aprendizagem do
artesanato Xakriabá; b) espaço multimídia; para reuniões e atividades
comunitárias e de formação; c) espaço de exposição e venda; d) museu. Desse
modo, a
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Casa
de Cultura é dividida em quatro módulos, que juntos compõem o todo da
construção e que serão utilizado para atividades supracitadas.
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As atividades da Casa de Cultura visam conciliar
inovação e tradição. Tradição, no sentido de conservar e aprimorar os modos
de construção indígena e inovação, no sentido de agregar tecnologias mais
eficientes e sustentáveis de construção. Uma das inovações incorporadas à
técnica de construção indígena é a fabricação de tijolos de solo-cimento, os
quais estão sendo produzidos com o solo local agregado a uma pequena parte de
cimento, o que representa uma alternativa de construção auto-sustentável e
não excludente pelo custo. Permitir que o maior número de indivíduos tenha
acesso a essas alternativas é viabilizar um processo de construção que mescla
tradição e cultura, sem que seja necessário submeter a população local a
gastos que não fazem parte de suas possibilidades. As telhas utilizadas na
construção também foram fabricadas no próprio território, por Xakriabás que
possuem a prática de fazer telhas como tradição familiar.
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A construção da Casa de Cultura é feita pelos
habitantes da TIX, havendo um pedreiro responsável (mestre de obras) e dois
serventes auxiliares. Essa estrutura permite que parte do financiamento
destinado ao projeto seja repassada aos habitantes locais, na forma de
pagamento de salários, o que representa, também, um incentivo à permanência
desses habitantes na terra indígena e a não buscarem trabalho temporário fora
da reserva.
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A Casa de Cultura reserva um espaço para as
atividades de resgate da tradição artesanal, fornecendo a infra-estrutura
necessária para a realização desses trabalhos. As atividades de artesanato já
são realizadas nas diversas aldeias que compõem a Reserva Indígena, mas, na
maioria dos casos, faltam recursos para que o trabalho seja realizado de
forma consistente e com a participação de um número maior dos membros das
comunidades.
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Fator que facilita o trabalho na Casa de Cultura é a
movimentação da comunidade em torno da construção, o que conta com auxílio de
professores indígenas, das lideranças locais e dos moradores da reserva.
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